José de Magalhães Graça (Rio de Janeiro, 1922 — Rio de Janeiro, 10 de agosto de 1990), ou simplesmente Magalhães Graça, foi um ator brasileiro, tendo também atuado como dublador.

Biografia
Começou a carreira em teatro amador em 1941, no Colégio Pedro II, aonde cursava o ginasial (hoje ensino fundamental). Suas primeiras peças no colégio, foram: Onde Estás Felicidade? (1941), de Iglesias, e As Férias de Apolo (1942), de Jeau Beithet.

Logo em seguida foi para o teatro profissional, e comitantemente cursou a faculdade de direito, na qual também fez teatro participando do grupo dramático da universidade. Na universidade, autuou em peças, como: O Avarento, de Molière.

Em 1943, começou a atuar no teatro profissional, ingressando na companhia Os Comediantes, patrocinada pelo Ministro Gustavo Capanema. Na companhia, estreou na peça Escola de Maridos (1943).

Atuou em outras peças da companhia, como: A Mulher Sem Pecado (1946), de Nelson Machado (escritor teatral carioca), ao lado de Graça Mello, A Rainha Morta (1947), Terra do Sem Fim (1947), ao lado de Maria Della Costa, Cacilda Becker, Margarida Rey, Jardel Filho, e grande elenco, Não Sou Eu!... (1947), e Vestido de Noiva (1947). Na peça Terra do Sem Fim (1947), muda seu nome artístico para Magalhães Graça.

Em 1949, entra para a Companhia Dulcina-Odilon, estreando na peça: Bar do Crepúsculo (1949), ao lado de Dulcina de Moraes, Odilon Azevedo, Conchita de Moraes, Brandão Filho, Lamartine Babo, e grande elenco. Também atuou na peça Anita Garibaldi (1949) pela companhia.

Em 1950, atua na peça O Poço (1950), inaugurando a estréia do Teatro Popular de Arte, em São Paulo. No mesmo ano também atua na peça: Os Aprendizes (1950).

Em 1950 entra para o Teatro de Arte, aonde atua na peça: Alegres Canções na Montanha (1950), ao lado de Nicete Bruno e Fernanda Montenegro.

A Companhia Silveira Sampaio vem logo depois, aonde atua em: O Professor de Astúcias (1951). Na época do professor de Astúcias, ficou tão conhecido, que várias companhia lhe mandaram proposta para fazer parte de seu elenco, como as Companhias Madame Morineau, Graça Mello, Roulien, Aimée, e Paschoal Carlos Magno.

Ainda em 1951, vai para a Companhia Teatro de Equipe, de Graça Mello, atuando na peça: Massacre (1951), ao lado de Maurício Sherman, e Serafim Gonzales.

Em 1952, retorna a Companhia Silveira Sampaio, aonde atua nas peças: Deu Freud Contra (1952), Flagrante do Rio Nº 2 (1953), Cavalheiros Sem Camélias (1953), Flagrantes do Rio (1953), com Nancy Wanderley, fazendo parte do Festival 1900, Reginaldo Costureiro (1953), Um Diabo em Quatro Corpos (1953), ao lado de Mara Rúbia, e Quitandinha (1954). Na companhia trabalhou ao lado de Ambrósio Fregolente, Wanda Oiticica, Mara Rúbia, Nancy Wanderley, e outros.

A partir da peça Flagrantes do Rio (1953) apresentada no Festival 1900, Magalhães começa a desempenhar o papel de diretor.

Nas propagandas das peças da companhia, o nome de Magalhães vinha exposto em primeiro lugar, maiúsculo, e em negrito, o destacando como melhor e mais conhecido ator da peça. A partir daí começa a ser conhecido no meio apenas como Magalhães.

Em 1954, surge a Companhia Dramática Nacional, aonde atuou na peça: As Casadas Solteiras (1954). Na companhia, trabalhou ao lado de Ambrósio Fregolente, Maria Fernanda, Nathália Timberg, Ribeiro Fortes, Sonia Oiticica, e grande elenco.

Ainda em 1954, ingressa na Companhia Jaime Costa, aonde atua na peça: Cinco Fugitivos do Juízo Final (1954), com direção de Bibi Ferreira. Na companhia trabalhou ao lado de Ribeiro Fortes, Nathália Timberg, Bibi Ferreira, e Maurício Sherman.

Em 1955, ingressa na companhia de teatro de revista, Companhia Chianca de Garcia, na peça: Tem Nego Bebo Ai (1955), ao lado de Mara Rúbia.

Ainda em 1955, ingressa na Companhia de Comédias de Aimée, em peças, como: Esposa em Circulação (1955), Um Feydeau (1955), e O Prêmio da Virtude (1955-56). Na companhia atua ao lado de Aimée, Fregolente, Antônio Patiño, e outros.

Na Companhia Movimento Brasileiro de Arte, estréia em 1956, na peça: Electra no Circo (1956).

Em 1956, ingressa na Companhia Teatro Nacional de Comédias, aonde permaneceu por vários seguidos. Foi a companhia em que mais atuou em peças.

Entre as peças, temos: Memórias de Um Sargento de Milícias (1956), O Dilema do Médico (1956-57), Guerras do Alecrim e Manjerona (1957), A Jóia (1958), Antes da Missa (1958), Peguei Um Ita no Norte (1958), Boca de Ouro (1960-61), com Tereza Raquel, Não Consultes o Médico (1961), Lição de Botânica (1961), e O Pagador de Promessas (1962). Na companhia, atuou ao lado de Maurício Sherman, Edson Silva, Beatriz Veiga, Paulo Sabag, Hugo Carvana, Osvaldo Louzada, Glauce Rocha, Diana Morel, Paulo Goulart, Jorge Dória, e outros.

Posteriormente, atuou em diversas peças, sem estar vinculado a uma companhia. Entre elas, temos: Esse Rio Que Eu Amo (1962), com Daniel Filho, Jardel Filho, Tônia Carreiro, Odete Lara, Diana Morel e outros, Paixão (1963), ao lado de Ida Gomes, Lourdes Mayer, Paulo Porto, e grande elenco, e Os Sábios Se Divertem (1963), ao lado de Dulcina, Odilon, Ângela Bonatti, Álvaro Aguiar, e outros.

Em 1963, ingressa na Companhia Gracinda Freire e Os Comediantes da Guanabara, na peça: Conheça Seu Homem (1963).

Na Companhia Teatro de Arena, atua em: A Torre em Construção (1964).

Em 1967, ingressa na Companhia Grupo Opinião, na peça: O Inspetor Geral (1967), ao lado de Agildo Ribeiro, Suely Franco, e com direção musical de Geni Marcondes, com quem trabalhou na Rádio MEC. Suas últimas peças, foram: Irma La Duce (1968), com Theresa Amayo, Irma la Douce (1970), A Raposa e As Uvas (1970-71), O Dia Em Que Alfredo Virou a Mão (1983), com Cláudio Correa e Castro, José Santa Cruz, Leonardo José e Arthur Costa Filho, e O Avesso do Avesso (1985), com José Santa Cruz, no Teatro da Praia.

Nos anos de 1970 ficou ausente do teatro. Na época chegou a ser júri de um concurso de leitura na escola de teatro da Uni-Rio, ao lado de Osmar Prado e outros atores teatrais.

Magalhães também foi pianista, tendo feito em 1943 curso com a professora de música Magdalena Tagliaferro. Em 1943, participou do festival organizado pela União Metropolitana dos Estudantes, tocando Lenda de Caboclo, de Vila Lobos, e Polonaise, de Chopin. Em 1946, participou do Concerto de Obras de Frutuoso Viana. Em 1950, ingressou na Rádio Guanabara, aonde atuou, entre outras em novelas, como: Orgulho de Mulher (1950), ao lado de Jane Gipsy, e Fernanda Montenegro.

Ainda em 1950, ingressa na Rádio Ministério da Educação, aonde fez longa carreira. Na emissora, esteve ao lado de colegas do teatro amador do colégio Pedro II, Allan Lima e Orlando Prado, e da companheira de teatro e Rádio Guanabara, Fernanda Montenegro, com os quais atuou muitas vezes na emissora.

Na emissora primeiramente, participou de diversas peças teatrais. Em 1952, participa de um ciclo de conferencias do teatro brasileiro, produzido por Brício de Abreu, com interpretações de Sonia Oiticica e Fernanda Montenegro. Magalhães também participa de algumas produções do gênero infantil na emissora, como Teatrinho da Alegria, em peças, como: Perlipate e o Quebra Nozes (1954). Também participava do programa Reino da Alegria, de Geni Marcondes, Em 1955, em homenagem a Geni Marcondes, o programa ganhou uma homenagem feita pela TV Rio, dentro do programa Recreio Musical, aonde todo o elenco da atração radiofônica participa.

Em peças teatrais na emissora, participa dos programas Grande Teatro PRA-2, em peças, como: Uma Mulher Sem Importância (1957); e no programa Grande Teatro PRA-2, em peças, como: As Doutoras (1957), Quebrando (1957), e O Crédito (1957).

Também atua no programa teatral Histórias Que a Vida Escreveu, em peças como: As Rosas Vermelhas (1958). Temos informações de que em 1976, Magalhães ainda se encontrava na emissora.

Na TV, foi um dos primeiros atores contratados pela TV Tupi do Rio. Uma de suas primeiras participações, foi no programa Tele-Teatro, na peça: Neguinho e Jurací (1951).

Atuou em outras diversas peças, em programas, como Teatro de Variedades, aonde atuou em: Mania de Estrelas (1957), de Victor Berbara, O Comissário de Polícia (1957), de G. D'Hervilliez, Romeu e Julieta (1957), de Victor Berbara, entre outras, aonde atuou ao lado de atores e atrizes como Ema D'ávila, Tereza Amayo, José de Arimathéa, Maria Pompeu, Fernando Villar, e Aimée.

No programa Teatro de Comédia, atuou em: A Tia de Charles (1958), Fecho de Ouro (1958), Ser Ou Não Ser (1960), Acidália (1960), Baile dos Ladrões (1966), entre outras, aonde atuou ao lado de atores e atrizes, como Tônia Carrero, Paulo Autran, Rosa Marinha Murtinho, Silveira Sampaio, Roberto de Cleto, Paulo Goulart, Iara Cortez, Daniel Filho, Jomeri Pozzoli, Cláudio Correa e Castro, entre outros. Também atuou no programa teatral, Grande Teatro Tupi, em peças, como: The Good Mary (1963), e Minha Mulher é Sua (1963). Em 1964, retorna a TV Tupi, aonde atua no humorístico: Mister Sexo (1964), ao lado de Chico Anysio, Graça Mello e grande elenco.

Em 1963, passa pela TV Rio, aonde, entre outros em peças, como: A Descoberto do Novo Mundo (1963), de Sérgio Brito, com Francisco Cuoco, Carminha Brandão, e outros.

Em 1965, ingressa na Rede Globo. Na ocasião, atuou no programa Musicalíssima (1965), ao lado de Beta Loran, Augusto César Vanucci, Jaime Costa, Agildo Ribeiro, e grande elenco. Anos depois retorna a emissora, e atua em novelas, como: A Moreninha (1975), Dancin' Days (1978), e Champanhe (1983). Nessa ocasião também atuou ao lado de Chico Anísio no programa Chico City. Também teve participações no programa Caso Verdade, sendo no episódio: Amanhã é Vida Nova (1986), uma de suas últimas participações na TV.

Também atuou várias vezes no cinema. Entre os filmes que atuou, está: O Primo do Cangaceiro (1955), Eu Sou o Tal (1959), Minervina Vem Aí (1959), ao lado de Dercy Gonçalves, Esse Rio Que Eu Amo (1959), Três Cabras de Lampião (1963), Crônica da Cidade Amada (1964), Um Ramo Para Luiza (1965), Anjos e Demônios (1970), Coronel Delmiro Gouveia (1978), e Resumo de 1979 (1980).

No natal de 1952, participou do disco Acontece no Natal (1952), interpretando em uma história escrita por Joracy Camargo, aonde atuaram ao seu lado os radialistas Allan Lima e Newton Paiva.

Em 1957, ganha o prêmio de melhor ator cômico do teatro por 1956, pela peça Memórias de Um Sargento de Milícias, pelo Teatro Nacional de Comédias. Em 1958, ganhou o Prêmio Municipal de Teatro, dado pela prefeitura do Rio de Janeiro como melhor ator de comédia, por Jóia.

Na dublagem, entrou em 1958, na Herbert RIchers. Na década de 1960, passou também pela Cine Castro, TV Cinesom e Dublasom Guanabara. Também atuou também na Tecnisom em dublagens para a Disney. Nos anos de 1970, ingressou na Televox, Peri Filmes, e Telecine. Nos anos de 1980, ingressou também na VTI, Sincrovideo, e Delart. Seus últimos trabalhos foram realizados principalmente na Herbert Richers e Delart.

Ele fez diversos personagens em filmes da Disney: Mestre em Branca de Neve e os Sete Anões, João Honesto em Pinóquio, Mago Merlin em A Espada Era a Lei, Kaa em Mogli - O Menino Lobo", e o Principe João em Robin Hood.

Magalhães Graça veio a falecer na Hospital São Sebastião, devido á um erro médico em 10 de agosto de 1990, aos 68 anos de idade.