Cleonir dos Santos (Rio de Janeiro, 9 de Julho de 1944 - Rio de Janeiro, 9 de Dezembro de 1998) foi um dublador brasileiro.
Biografia
Cleonir dos Santos foi um dublador Carioca.

Cleonir Amaro dos Santos nasceu em 09 de Julho de 1944 na cidade do Rio de Janeiro. Começou cedo no Rádio aos 7 anos de idade em 1951 na Rádio Tamoio. Na mesma época entrou para Rádio Tupi, e posteriormente para a Tv Tupi, aonde ficou conhecido como o garoto prodígio da emissora.

Na Rádio Tamoio, entre outros participou da novela As Cinco Letras de Ouro em 1953, de Clímaco Cesar, ao lado de Márcia Gonçalves e Paulo Célio.

Na Tv participou na Tv Tupi do programa Mesa Quadrada, atuando em uma peça ao lado de Neuzira Silva, Milton Moraes e Walter Gaspar também em 1953.

No Teatro, uma de suas primeiras peças foi O Coelhinho da Sorte com apenas 9 anos de idade no mesmo ano 1953. Na peça Cleonir fazia o Coelhinho, Miriam Pires fazia a Cigana, o bailarino Cassando Orlec fazia o Cigano, Geraldo Markan e Paulo Marques como Os Guardas, Zezinha Macedo como a Tia Marla, além da participação do Coral e Corpo de Baile do Teatro Experimental de Opera.

Ainda no mesmo ano fez outra peça intitulada O Casamento de Branca de Neve com direção de Fernando Fortarel, ao lado de Georgette Villas, America Maria, Jorge Oliva, Jaime Silva, Valquíria Barbosa, Augusto Carvalho, Rubens Pereira, Nivaldo Miranda, Luiz Porto, Carlos Alberto, e grande elenco.

Entre outras peças infantis que participou está As Aventuras do Saci Pererê de Ziraldo, ao lado de Suely Franco que fazia uma personagem que gostava do personagem de Cleonir. Essa era uma peça feita com fantoches. Esse tipo de Teatro era uma paixão na vida de Cleonir, e sempre quando podia, fazia.

Em 1955 participou de seu primeiro filme, chamado Chico Viola Não Morreu, e no ano seguinte fez O Diamante. Alem de novelas também fez Teleteatro e Programas Infantis.

Em 1956, aos 12 anos de idade participou da peça Os Inocentes, ao lado da atriz Dulcina de Moraes, o que o fez ganhar de Dulcina uma bolsa de estudos do curso de formação de ator na Escola Dramática da Associação Brasileira de Teatro. Após isso, rodou o país com a peça em lugares como Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, tendo nesse último ganhado outra bolsa de estudos agora para estudar arte dramática na Itália, embarcando em 1958 para o mesmo.

No mesmo ano, participa no programa Câmera Um das peças Família Confusão, de Teresinha Portocarrero, ao lado de Lídia Reis, Armando Nascimento, Vanda Lúcia e Nely Martins, e de O Guarda-Chaves, de Claude Rolland, com tradução de Olegário Azevedo, adaptação pra Tv de Paschoal Longo, e ao lado dos atores Jacy Campos, Jecy Valadão, Zilca Salaberry e Francisco Imperial.

Também em 1956, participa da peça Um Presente de Casamento, de Ilza Silveira, ao lado de Heloísa Helena e Alberto Perez, fazendo parte do programa semanal das segundas-feiras na Tv Tupi chamado Teatro Gebara.

Em 1957 participa da peça É De Amor Que Se Trata, de Ardèle Marguerite, pela Companhia Artistas Unidos de Carlos Brant, que completava na ocasião seu 11º aniversário, com direção de Luca de Pena, e ao lado dos atores Morineau, Delores Caminha, Mário Brasini, Antônio Victor, Adriano Reys, Maria Ompeu, Teresinha Amaio, e Lisete Fernandes.

Também em 1957 participa da peça Numa Loja de Natal, de Celestino Silveira, ao lado de Jomeri Pozzoli, Aimeé, Lídia Reis, Carlos Duval, Cláudio Cavalcanti, Alberto Perez, Herval Rossano, Sônia Lancelotti, Armando Nascimento e Valter Moreno.

Ainda em 1957, foi entrevistado pela revista Jornal das Moças, contando um pouco sobre sua vida, seus costumes, seu começo de carreira, e fotos do seu cotidiano. A matéria foi lançada em 4 de Julho de 1957.

Entre as novelas que participou na Rádio Tupi estão Vidas Sem Rumo, de Ribeiro Fortes, ao lado de Miriam Pires, Osmiro Campos, Ribeiro Fortes, Norka Smith, e Aliomar de Matos. A Mulher Que Veio de Longe, de Hélio Tys, com o elenco de Nair Amorim, Norka Smith, Ida Gomes e Silvia Maria. Abandonados, de Fernando Silveira, contracenando com Paulo Gonçalves, Amélia Simone, D'Andrea Neto, Luiza Nazareth e Norma de Andrade. Ária na Corda, ao lado de Norka Smith, Ida Gomes, Paulo Porto, Paulo Maurício, Paulo Moreno, Silvina Lopes e Luiza Nazareth. Sangue Maldito, de Luís Quirino, ao lado de Marilena Alves, Aliomar de Matos, Amélia Simone, Honório de Souza e Osmiro Campos. Estrelas Sem Bilho, de Norka Smith. Silêncio, de Waldir de Oliveira, ao lado dos atores Paulo Moreno, Ida Gomes, Marilene Alves, Faria Veiga, Nair Amorim e Gualter de França. Ambas em 1959.

Também em 1959 participou do programa Encontro das Cinco e Meia, programa diário apresentado por Paulo Porto e Norka Smith, além da participação de Yoná Magalhães, Ribeiro Fortes e Silvana Lopes.

Cleonir também é cantor. Se apresentou em vários clubes e espetáculos a céu aberto em sua pré-adolescência e juventude. Na adolescência chegou a cantar Rock.

Em 1970 participou da peça originária de Georges Feydeau chamada Olho N'Amélia, com tradução e adaptação de João Bethencourt, direção de Paulo Afonso Grisolli, e como o elenco de Alexandre Marques, Urbano Lóes, Ivone Hoffmann, Eva Todor, Luiz Carlos de Moraes, Susi Arruda, Afonso Stuart, e grande elenco.

Em 1971 participou da peça Um Violinista no Telhado, tradução e adaptação de Oswaldo Loureiro, ao lado de Ida Gomes, Miriam Müller, Susy Arruda, Jomeri Pozzoli, e grande elenco.

Nos anos de 1970 entrou pra Tv Globo aonde fez algumas novelas, como Maria, Maria e A Sucessora em 1978, Dona Beija em 1986 e O Outro em 1987.

Na dublagem entrou em 1957, quando estava começando a dublagem no Brasil. Dublou em empresas como ZIV, CineLab, Rio Som, CineCastro, TV CineSom, Dublasom Guanabara, Peri Filmes, Herbert Richers, Telecine, VTI e Delart. Nela fez personagens inesquecíveis que até os dias de hoje estão na memória das pessoas, como Scooby-Loo o cachorrinho valente sobrinho de Scooby-Doo, Dennis Mitchell o garoto que só se metia em confusão na versão animada clássica de Dennis o Pimentinha, foi Daniel San (Daniel Larusso) interpretado por Ralph Macchio em Karate Kid 1 e 2, foi o pequeno Mike interpretado por Arthur Hill no filme O Campeão, Fez o Mestre de Cerimônias interpretado por Joel Grey no filme Cabaré, aonde o personagem exigia que se falasse em varias línguas. Na série Tempo Quente fez um garoto chamado Murray que vivia conversando com seu computador, interpretado por Thom Bray.

Nas dublagens da Disney, foi a segunda voz do famoso ratinho Mickey Mouse, substituindo Luís Manuel dos anos de 1970 até os anos de 1990 nas dublagens feitas no Rio, também foi a primeira voz do Pato Donald nos anos de 1960 e 1970, entre outros.

Alem de todos esses trabalhos marcantes, Cleonir também fez muitos personagens de desenhos japoneses, como o dedicado corredor Speed Racer na primeira dublagem do mesmo, o piloto Joe Kaisaka em Pirata do Espaço, Sanshirou Kurenai em O Judoka e Ryuusuke Domon em Patrulha Estelar.

Em Scooby-Doo substituiu Luís Manuel no personagem Fred Jones em meado dos anos de 1980 que havia saído da Herbert Richers. Novamente fez a voz do loirinho inteligente na série O Pequeno Scooby-Doo, substituindo Mário Jorge de Andrade.

No começo da década de 1990, Cleonir teve o privilegio de conhecer os criadores do desenho Dennis, o Pimentinha, que vieram especialmente dos Estados Unidos para conhecê-lo. Quando o criador da série viu Cleonir, disse: "Você é o meu filho. Quando eu desenhei o Pimentinha, imaginei uma voz como a sua. O personagem é dublado em outras línguas, mas a sua voz é a voz exata de quando eu desenhei. Ao ouvir gravada, quis conhecer você." Foi uma coisa muito legal esse acontecimento na vida de Cleonir, como ele mesmo citou em uma entrevista.

Cleonir veio a falecer precocemente em 9 de Dezembro de 1998, por agravamento de sua insuficiência renal.

Mesmo partindo cedo, Cleonir deixou um legado lindo de interpretações marcantes em 40 anos dedicados a dublagem, sua maior paixão, na qual ele deu sua alma, e o reconhecimento de tal trabalho, paixão e dom, é reconhecido por muitas pessoas que tiveram suas vidas marcadas com a genialidade deste profissional versátil e incrível que foi Cleonir dos Santos.